De pai para pai - uma carta que celebra a oportunidade de se eternizar na vida dos filhos.

De pai para pai - uma carta que celebra a oportunidade de se eternizar na vida dos filhos.

Papai,

O próximo Dia dos Pais será o 13º em que não estaremos juntos, fisicamente, para celebrarmos essa data tão especial para mim.

Decidi lhe escrever e contar um pouco sobre a importância da PATERNIDADE em minha vida.

Ela começou aos 13 anos, quando surgiu a vontade de constituir família, de encontrar aquela que seria a mãe dos meus filhos... Recordo-me, como se fosse hoje, de quando aquele sentimento brotou em meu coração.

Embora eu não tivesse consciência do que viria pela frente, fui alimentando aquela vontade e me preparando.

Os filhos demoraram a chegar, e comecei a me realizar, por tabela, como tio dos quatro sobrinhos queridos que tenho. Comecei o ensaio da paternidade com os mimos, cuidados, presentes, brincadeiras e passeios. Eu também lhes aconselhei muito; afinal, um dos papéis do pai é aconselhar sempre: de forma oportuna e com a sabedoria da maturidade.

Hoje, meus sobrinhos já são pais, e vivo outra realidade: sou um tio-avô. Estou repetindo algo que vivi com eles, ao mesmo tempo que transmito parte da experiência que acumulei. É a minha vida se prolongando na vida dos demais... Ou melhor: é a sua vida, que ainda está presente dentro de mim, que transmito aos meus filhos, sobrinhos e sobrinhos-netos. É maravilhoso observar essa Lei de Herança no campo metafísico e espiritual!

O senhor se recorda que, cinco meses antes de sua partida física, eu realizei o maior sonho desta etapa de vida: o de SER PAI? Que bom que presenciou essa conquista!

Para os meus filhos, não há diferença entre o avô materno (que eles conheceram e conviveram por sete anos) e o senhor. Falam sobre ambos como se tivessem convivido com os dois. Por quê?

Porque falamos sobre você, contamos seus “causos”, seu jeito brincalhão e sério (meio bravo, muitas vezes!), seus gostos e preferências. Faço com eles as mesmas pegadinhas de matemática que fazia conosco, para agilizar nossa mente e treinar nosso raciocínio. Ah, fazia também as brincadeiras do português: “Um limão, dois limões; uma mão, duas mãos, um mamão, dois mamões!”. Esta é a parte que não morre nunca, que continuará viva dentro de mim e dos meus pimpolhos!

Tenho aprendido que, para ser pais, temos que começar nosso preparo dez anos antes. Afinal, se para ser um bom profissional, um bom atleta, um bom artista, temos que estudar e nos preparar muito, não podia ser diferente com essa nobre e divina missão: a PATERNIDADE.

Cada um de nós está nesta vida para evoluir e servir. E não é a paternidade uma excelente oportunidade para cumprir com esse mandato supremo? De minha parte, recordo-me daquilo que não me agradava no senhor e tenho feito o esforço de me superar. Tenho repetido tudo aquilo que foi bom e positivo em minha educação e me esforçado para ensinar a meus filhos. E, assim, numa espiral evolutiva, eles tentarão me superar com seus filhos... Não é isto algo lógico e belo?

Um abraço, com saudade e muito afeto, do seu filho

Francisco José Rezende*

Próximo artigo Correções na infância: 5 coisas que devemos evitar e 5 coisas que devemos praticar.

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