Diversão em família: este é o foco do nosso negócio!

Diversão em família: este é o foco do nosso negócio!

Viajamos e, logo que chegamos ao hotel, fiquei satisfeita ao ler o slogan que dizia que diversão em família era o foco do negócio. Achei excelente a ideia e, realmente, comprovava que o negócio do hotel era diversão em família. Estava tudo certo!

Entretanto, pensando melhor no assunto, o slogan passou a me incomodar um pouco: a diversão em família, que deveria ser espontânea e natural, fruto da boa convivência e da felicidade de compartilhar momentos juntos, passou a ser um negócio.

A cultura vigente determina modelos sociais em que as famílias se fragmentaram. Muitos pais já não se dedicam a acompanhar o crescimento dos filhos e a sua educação. Estreitar os vínculos de afeto, confiança e respeito não é prioridade na vida de muitas famílias, que delegam a terceiros a função de cuidar de seus bens mais valiosos: os filhos.

Neste contexto, quando falamos em férias, o comum e desejável pela grande maioria, são hotéis que disponibilizam o serviço de entretenimento “full time”: entregam os filhos aos monitores ainda no café da manhã e os pegam novamente à noite. Aparentemente uma proposta muito atraente, certo? Mas reside aí uma contradição: saímos de férias com a família para ficarmos juntos, caso contrário as férias deveriam ser individuais. No modelo mencionado, tiramos férias dos filhos?!

Como mãe de duas crianças pequenas, concordo que a rotina com as crianças, inclusive nas férias, é muitas vezes desgastante para os adultos. Quando não identificamos os objetivos que estão por trás do acompanhamento das atividades dos filhos, realmente elas podem se tornar extremamente cansativas.

O valor que existe na oportunidade de convivência é imenso. Nos momentos mais triviais, temos a oportunidade de conhecer um pouquinho mais os filhos: suas dificuldades, aptidões, tristezas e alegrias. Também nos conhecemos um pouco melhor, ao descobrir como somos capazes de tanta generosidade, afeto, paciência, respeito e gratidão. Ensinamos, aprendemos e crescemos juntos. E como isso pode ser ruim, cansativo ou repetitivo?

Quando alcançarmos a consciência do que é uma família e da importância da convivência para o crescimento e estreitamento dos vínculos afetivos, a busca por mais momentos assim poderá ser mais prazerosa e, assim, talvez, não achemos tão natural a terceirização massiva do lazer ou das brincadeiras com os filhos. Quando percebermos seu valor, todos os momentos serão muito mais que diversão: serão ricos e eternos.

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Por Fábia Colombarolli

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