Mudanças... por que resistimos tanto?

Mudanças... por que resistimos tanto?

Ainda no começo da quarentena, com o propósito de comemorarmos um aniversário, fizemos uma festinha virtual da família: tios, tias, primos, avó, todo mundo apareceu na tela para uma comemoração bem diferente. E, lá pelas tantas, surgiu a ideia de uma brincadeira. Todos deveriam manifestar suas previsões para o futuro, sobre como a pandemia e as restrições de contatos sociais iriam mudar o mundo. As respostas seriam gravadas e, nesse mesmo futuro, quando fosse possível, faríamos uma festa de verdade para assistirmos as previsões. Foi muito divertido. Todos falaram sobre grandes mudanças nos hábitos de consumo, nas reuniões sociais, nas formas de organização da educação e do trabalho etc.

Gostei muito de fazer essas reflexões, de ouvir os demais, mas, depois de um tempo, surgiu um incômodo dentro de mim: como a pandemia poderia “mudar o mundo” sem mudar cada um de nós? E olhando para dentro de mim encontrei grande resistência a qualquer mudança. Vi claramente a contradição: queria que mudasse o mundo, mas sem mudar a mim mesma! E, então, na festinha virtual seguinte, propus uma pergunta diferente: o que a pandemia e a quarentena estavam mudando em cada um de nós? Silêncio. As respostas já não fluíram tão rápido. Mas foi bonito ver os olhos se voltando para dentro e, aos poucos, foram aparecendo respostas que colaboraram muito comigo.

O fato é que, naquele início da quarentena, dentre outras coisas, me vi fazendo coro com outras mães, manifestando toda a minha resistência à inevitável mudança da escola e na forma de ensinar, agora, necessariamente, online. E é claro que eu tinha razão, crianças precisam de convivência, afeto, presença. É claro que a escola não estava preparada para essa circunstância e, como é natural, cometeu inúmeros erros. É claro que educar não é “despejar conteúdos” .... no entanto, ali estavam também inúmeras oportunidades que só pude enxergar quando me dispus a quebrar as resistências internas, me adaptar à nova circunstância, mudar. Percebi que poderia me adaptar ao fato de o ensino estar sendo realizado de forma diferente e que, mesmo à distância, meus filhos poderiam aprender e desenvolver habilidades e competências essenciais para a formação integral deles.

Dessa forma, fiquei mais tranquila, empenhei-me em aproveitar a situação decorrente da pandemia, para ficar mais perto dos meus filhos, e que a educação deles poderia, na verdade, também, ser enriquecida com o cultivo de muitos valores. Tenho ensinado o valor da amizade, que pode ser cultivada à distância. Tenho ensinado o gosto por aprender, sobre o valor do cultivo da gratidão, sobre a paciência, a tolerância. E, principalmente, tenho ensinado sobre a importância de nos colocarmos no lugar do outro e o poder da adaptação.

A Logosofia diz que “quem quiser chegar a ser o que não é, deverá principiar por não ser o que é”. Um ensinamento simples e verdadeiro. Não é possível dar um passo à frente sem deixar o ponto de partida. No entanto, por medo, insegurança, ou simples comodismo, custamos a nos dispor a deixar o lugar que estamos e, com isso, nos privamos da maravilhosa oportunidade de evoluir. 

Que possamos sempre nos abrir para as mudanças! E se aparecerem resistências, que sejam breves, que durem só o tempo da reflexão e, sem demora, sigamos os passos, sempre para frente!

 

Autora: Tábata Duarte Lage Cazorla

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Comentários

Mariza Mansur - 14 julho, 2020

Tábata, gostei muito de suas reflexões e análise. Adaptação também requer um tempo de reflexão para prender a aproveitar melhor as oportunidades e recursos que podemos descobrir em nós.

Afetuosament
Mariza Mansur

Cristina Neumann - 14 julho, 2020

Gostei muito das reflexões e me encontrei nelas!! A resistência à mudança está na nossa mente , é só o conhecimento de mim mesmo será o primeiro passo para conseguir superar os desafios!!

Olegário - 14 julho, 2020

Sinto suas palavras vibrarem no meu ser interno… pois, elas levam à superação e ao enfrentamento da vida com outra visão. Minha mente e coração estão aberto para o conhecimento Logosófico. Obrigado!

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