O “tempo do parquinho”

O “tempo do parquinho”

Adoro conversar com outras mães! A arte de educar é complexa, cada filho é único, cada mãe é única, mas sempre aprendemos com as experiências dos outros. De muitas dessas longas e agradáveis conversas, retirei elementos preciosos para acertar mais na educação dos meus filhos. Um desses elementos foi o “tempo do parquinho”: uma preciosidade para a educação de adolescentes, que quero compartilhar com vocês. 

Eu e uma amiga conversávamos sobre como nossos filhos já pré-adolescentes e adolescentes ainda demandavam nosso tempo, apesar da nossa expectativa de que, ao crescerem, essa necessidade fosse diminuir. Lá pelas tantas, ela disse, como fez uma grande descoberta: “É o tempo do parquinho!”. Entendi imediatamente. 

É que, quando nossos filhos eram pequenos, costumávamos passar uma, duas horas por dia ou até mais acompanhando-os em suas brincadeiras no parquinho. E, depois, ainda dedicávamos nosso tempo dando-lhes banho, alimentando-os, colocando-os para dormir. Mas, aos poucos, os pequenos foram crescendo, e já não era necessário estar tão perto deles no parquinho... Podíamos olhá-los de longe, enquanto fazíamos outras coisas. E, em pouco tempo, já sabiam tomar banho sozinhos, começaram a fazer suas tarefas sem ajuda e, pouco a pouco, foram diminuindo o tempo que nos demandavam. Como era natural, fomos ocupando com outras atividades esse tempo que começava a nos sobrar, até que, de repente, parecia que não tínhamos mais o “tempo do parquinho”. 

Acontece que aqueles adolescentes, que parecem muito autossuficientes, que entendem de computadores e redes sociais muito mais do que nós, que dizem saber tudo e não precisar de ninguém, ainda precisam muito de nós. Precisam muito do nosso tempo, do “tempo do parquinho” que, agora, custamos a encontrar de novo.

Acompanhávamos nossos pequenos no parquinho porque sabíamos do perigo que corriam sem o nosso amparo, nossa orientação, nosso conforto, quando algo dava errado. Nossos adolescentes precisam do mesmo amparo, orientação, conforto. Agora, não tanto nos aspectos físicos, mas em sua parte mental, sensível, espiritual. Embora não admitam, eles clamam por orientação. Ainda não sabem como devem se conduzir na vida, como se colocar nos conflitos, como fazer suas escolhas. E, para ajudá-los, é preciso dedicar tempo. O mesmo tempo que, antes, dedicávamos aos cuidados físicos - e que minha amiga sintetizou tão bem no “tempo do parquinho”.

Hoje, o meu “tempo do parquinho” é usado para cozinhar juntos, assistir a filmes juntos, ler juntos. Boa parte desse tempo uso para levá-los em suas atividades, quando aproveito para ouvir: ouço suas músicas, mas também os seus pensamentos, suas dúvidas, seus conflitos. Não abro mão das refeições em família, quando aproveitamos para contar alguma dificuldade que vivemos no trabalho e como as encaminhamos, ou relatar algum episódio significativo da nossa vida, ou ainda compartilhar alguma leitura interessante... 

E, sem que eles percebam, aproveitamos cada minuto desse tempo juntos para oferecer-lhes recursos para se conduzirem bem pela vida. Educar exige presença, exige tempo. Esse é o grande elemento que retirei da conversa com essa querida amiga.

*Dica da Lire: Use o seu “tempo do parquinho” para fazer uma leitura junto com os seus filhos. O livro A minha outra vida, de Cynthia França, um lançamento deste mês, vai proporcionar muita conversa boa!

 

Por Tábata Duarte Lage Cazorla

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