"Tem um elefante no meu nariz?” A importância de falar a verdade para as crianças

"Tem um elefante no meu nariz?” A importância de falar a verdade para as crianças

Meu filho, quando criança, tinha muitas infecções de ouvido. Foram muitas idas e vindas ao pediatra e ao otorrino. Felizmente, ele foi atendido por bons especialistas e hoje está muito bem.

Recordo-me, com muita nitidez, de uma de suas consultas. Ele, com seus três aninhos, de mãos dadas comigo, sendo recepcionado por um simpático médico que, ao encontrá-lo, na recepção da clínica, foi logo dizendo:
- Oi! Vamos agora ver se tem um elefante no seu nariz?
O pequeno levantou o rosto e olhando para o médico com dois olhos negros brilhantes, com muita espontaneidade, disse:
- Elefante “viva” é no zoológico.

Demos uma boa risada! Aquelas palavras poderiam ter passado despercebidas para mim, mas, sinceramente, a resposta, de uma criança tão pequena, com tanta naturalidade, chamou particularmente a minha atenção. Gostei do que ouvi, afinal ele estava pensando. Saí daquela consulta feliz e reflexiva.

Comprovei, como mãe e educadora, o valor de ensinar a criança a pensar. Aquelas palavras, ditas com tanta inocência, sintetizaram o resultado de um conhecimento importante da Pedagogia Logosófica, sobre a capacidade que as crianças têm de compreender muitas coisas, desde que sejamos capazes de falar de acordo com o entendimento de cada faixa etária, usando a linguagem adequada e o nível de informação coerente com a fase infantil.

Aprendi que não deveria enganar a criança utilizando recursos ou palavras que ela não teria como comprovar no momento ou mais tarde. Deveria, sim, ensiná-la a pensar! E um recurso importante para que a criança aprenda a pensar são as explicações, sempre de acordo com a verdade e adequadas a cada faixa etária.

Assim, antes das idas aos médicos, das vacinas ou injeções ou da realização dos exames nos laboratórios, utilizava do recurso das explicações. Isso contribuiu para que meu filho encarasse com naturalidade esses momentos.

Ao educar a criança falando a verdade, contribuímos para que ela não se torne presa fácil de ser enganada. Educar para o pensar exige tempo e paciência e, com certeza, dá mais trabalho. Mas os resultados na vida presente e futura da criança justificam todo o esforço e o tempo dedicados a favorecer nela o uso da liberdade de pensar.

Aquela consulta valeu! Valeu muito mais do que pelo resultado do atendimento médico, pois reafirmou em mim o propósito de não mentir nem enganar meu filho e outras crianças, inclusive fazer o que eu pudesse para evitar que outros adultos próximos a mim continuassem a usar a mentira fantasiosa e atemorizadora como recurso na educação infantil.

* quer uma dica livro? O livro "Até a volta papai e mamãe" mostra como uma situação que nem sempre é feliz para as crianças pode se transformar em um momento muito especial, sem precisar de nenhuma mentirinha!

Por Mayra de Castro Miranda Araújo

 

 

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